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Combate ao racismo e diversidade em sala de aula

Nas escolas muito se aprende sobre história: colonizações, revoluções, transformações, direitos e muitos outros temas, que são baseados quase que exclusivamente no lado da história das pessoas brancas. Quando abordado, a história das pessoas negras é tratada com base em escravidão, 13 de maio, sofrimento, fotos e poemas como “O Navio Negreiro”. Assim, deixando de lado as tecnologias descobertas por pessoas negras, a história do começo da humanidade, a rica e diversa cultura da África, entre muitos outros temas um tanto pertinentes.


Mesmo com 56% da população brasileira sendo composta por pessoas negras, segundo dados do IBGE, não enxergamos a presença de negros dentro de ambientes acadêmicos e em cargos de liderança, tanto quanto vemos pessoas brancas. Quando enxergamos, por outro lado, muitas vezes é ignorado o que precisa ser debatido: os números são mínimos. Dentro das 500 maiores empresas do país, apenas 4% das pessoas que ocupam cargos altos, são negras, segundo dados do Instituto Ethos.


“As pessoas negras que tiveram uma formação com uma fraca representatividade, não vão se enxergar em cargos em que poderiam estar. Por isso é muito importante trazer a cultura negra para debates dentro de sala de aula", apontou a especialista de Diversidade e Inclusão Racial na Médicos Sem Fronteiras Brasil, Maíra de Oliveira.


A necessidade e importância de abordar temáticas sobre a cultura negra dentro de sala de aula fica evidente quando, em consequência da ausência de abordagem desses temas, surgem atos de racismo dentro de sala de aula.


“Na escola, aprendemos história sob a ótica de quem escravizou e não de quem foi escravizado. A partir disso, você acaba formando crianças que não enxergam as pessoas negras e que silenciam essas vozes. Quando essas crianças chegarem ao mercado de trabalho, não vão conseguir enxergar a pessoa negra como alguém que poderia ocupar alguma posição”, explicou a especialista.


Considerando o mundo sob a perspectiva da criança, o impacto dessa criança estar num ambiente escolar em que ela não se enxerga no material didático e que muitas vezes as professoras se silenciam diante de violências que acontecem dentro de sala de aula, é enorme, já que a escola é o lugar em que a criança começa a desenvolver o pensamento crítico.


“Se ela não tem uma representatividade, se é oprimida pelos colegas, se não se enxerga dentro das ilustrações das questões dos livros de matemática, biologia, etc, essa criança vai acabar formando o pensamento de que ela não é protagonista. Esse é um dos problemas centrais”, avaliou a especialista.


Além da abordagem cultural, é papel da escola promover um ambiente com mais inclusão e abordagem dessas temáticas não apenas em datas especiais, mas em todo momento. Uma das sugestões da especialista de Diversidade e Inclusão Racial na Médicos Sem Fronteiras Brasil, é a preparação do educador para abordar a fundo todos os lados da mesma história e a elaboração de materiais didáticos voltados para artistas, músicos e escritores negros.


“São coisas simples que podem promover a inclusão, nós é que dificultamos. Quando for compartilhar um livro, escolha autores negros, quando for passar uma música ou filme, escolha negros como protagonistas. Os detalhes fazem a diferença e fazem com que todos se sintam representados”, ponderou Maíra.


É importante que as escolas se atentem que o anti-racismo deve ser algo natural, e para isso os educadores devem se capacitar através de cursos e imersões voltadas à esses temas, além de buscar se informar com as diversas informações disponíveis online. Além disso, a inclusão e diversidade deve estar presente também no corpo docente, para que estes consigam abordar com propriedade esses temas e promover um ambiente mais inclusivo, a fim de mitigar o problema do racismo dentro de sala de aula.


Texto por: Beatriz Mota Furtado


Quer saber mais sobre esse tema?

Veja a entrevista completa com a especialista de Diversidade e Inclusão Racial na Médicos Sem Fronteiras Brasil, Maíra de Oliveira, na Comunidade Educadores Inovadores.


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